05/07/2008

Tomar uma taça de vinho não pode. Cheirar pode.


 Vale a reflexão... 

Não beba uma taça de vinho. Cheire pó.

Não tome uma lata de cerveja. Fume um baseado.

Será que é um pensamento politicamente correto?

Esses caras conseguem, invariavelmente, piorar aquilo que se propõem melhorar.

 A soma de esforços dessa gente com os do lobby da droga conseguiu, vejam que coisa, demonizar o consumo de álcool, mesmo o moderado.

 Não é por acaso que se agrava a legislação contra o álcool e se é cada vez mais tolerante com as drogas consideradas ilícitas: carregar maconha para a queima pessoal é aceitável. Não obstante, a maconha integra a cadeia do crime organizado, e o álcool não.

Ora vejam:

Será que estou aqui a defender quem enche a cara e sai dirigindo?

 Ah, não mesmo! Cadeia nele se for o caso. Que se lhe tome a carteira de motorista  para sempre. O problema da 'nova lei' é o excesso de rigor, que vai igualar o consumidor social - e existe - ao irresponsável que dirige embriagado.

 Mais ainda:

Soma-se ao conjunto da obra o velho rancor anticapitalista disfarçado de amor pela humanidade: afinal, o álcool pertence a uma indústria. E os cavaleiros de um outro mundo possível têm apreço pelo mercado informal - inclusive o da droga.

 Imaginem uma blitz. O sujeito que tomou uma taça de vinho pode ser multado em R$ 952 e perder a carteira. O cheiradão e o fumadão passarão numa boa. E talvez ainda digam: 'Pô, esse pessoal que enche a cara põe a vida da gente em risco'.

 Ademais, multas com essa severidade escancaram as portas para a corrupção policial. Mas não tem jeito. Estamos diante de uma de uma caça às bruxas.

O que se diz do sujeito que fuma ou cheira?

Ele apenas exerce um direito individual; já  quem toma uma cerveja ou uma taça de vinho,  ou é vítima da propaganda do Zeca Pagodinho ou é um homicida em potencial.

A particular moralidade do politicamente correto, somada à burrice, é capaz de produzir prodígios de estupidez .

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