25/08/2012

Coreografias aéreas e misturas de ritmos renovam o tango argentino.



 

O tango, um dos principais ícones culturais da Argentina, vem ganhando nos últimos anos versões modernas que o misturam com o fado português, o carnaval brasileiro, música eletrônica e até técnicas de circo e pilates.

Essa versatilidade da música que nasceu no século 19, entre as capitais argentina e uruguaia, se reflete no Festival de Tango de Buenos Aires, que ocorre neste mês de agosto e atrai milhares de turistas e moradores locais para mais de 100 espetáculos.

Ao assisti-los, é possível constatar que a música de Carlos Gardel (1887 ou 1890 a 1935) e de Astor Piazzolla (1921-1992), simbolizada pelo bandoneón (concertina), ganhou outros instrumentos, como a bateria e a guitarra.

"O tango é a bandeira da arte nacional. Ele se reinventa porque tem publico de todas as idades e atrai qualquer pessoa sensível", disse o presidente da Academia Nacional de Tango, o uruguaio Horacio Ferrer, letrista de várias músicas de Piazzolla, como "Balada para un loco".

O historiador Horácio Salas afirma que o tango é "múltiplo e parte da identidade argentina, mas principalmente do portenho".

Segundo especialistas, Piazzolla "revolucionou" o tango tradicional dos tempos de Gardel. Já a "nova revolução" do tango surgiu com o grupo Gotan Project – tango eletrônico – em 2000. Em seguida, foram criados vários outros grupos de estilo eletrônico, como Bajofondo, e fusão, como Tangoloco.

"Até hoje as pessoas cantam as letras da era 'gardelina' (de Carlos Gardel), como 'Naranjo en Flor'. A inovação foi mais instrumental, mas as novas letras vão acabar surgindo", disse à BBC Brasil Daniel García, diretor e pianista do grupo Tangoloco.

O Tangoloco, criado em 2002, é uma fusão do tango com o rock, o jazz e outros ritmos, segundo Garcia. O quinteto é formado por bandoneon, contrabaixo, bateria, percussão e guitarras. Seus músicos nem sempre tocaram tango – a maioria veio do rock e do jazz, ou trabalhava fazendo trilhas de cinema e de televisão.

"Nosso lema é fusão sem preconceitos", disse. A lista de "fusões" do Tangoloco inclui a mescla de Piazzolla, Beethoven e Beatles.

Tango aéreo

A nova cara do tango é uma mistura da dança tradicional - conhecida também como dois por quatro - com acrobacias, nas quais os dançarinos ficam pendurados em cordas semelhantes às usadas no circo para fazer piruetas e "voos" sobre o palco.

A coreografia é realizada ao som de uma orquestra que toca tango eletrônico, acústico e tradicional, com instrumentos como o bandoneon, piano, violino e percussão.

A coreógrafa Brenda Angiel lançou o tango aéreo em 2009. Sua companhia de bailarinos realizou, neste ano, uma série de espetáculos em Nova York e arruma as malas para desembarcar em setembro em diferentes cidades da China. "Comecei a fazer a dança aérea em 1995 e em 2009 me animei a romper a dança tradicional do tango", disse.

García e Angiel reconheceram que as novidades que lançaram receberam críticas. Nos dois casos, eles tiveram apoio da crítica, mas olhar desconfiado dos mais tradicionais.

"Alguns nos criticaram quando misturamos os Beatles com tango. Mas se criticaram Piazzolla, tudo pode acontecer. Hoje, porém, nosso público é heterogêneo. Jovens que saíram dos conservatórios, gente que é da nossa idade (entre 40 e 50 anos) e gosta de um tango mais livre e os tradicionais", disse Garcia.

Angiel afirmou que seu objetivo era "algo moderno" e o público jovem imediatamente aprovou a ideia do tango aéreo. "Houve apenas um comentário no Facebook criticando a nossa novidade", disse. Hoje, esses espetáculos provocam filas em Buenos Aires.

Cotidiano

Longe dos palcos, o tango faz parte do cotidiano de muitos portenhos. O cantor Lucio Mantel, de 35 anos, é conhecido como solista de folclore e de rock. Seu repertório não inclui o tango, mas ele e o pai costumam ouvir, em casa, a música de Gardel. "Gosto de ouvir tango, especialmente os cantados por Gardel. Aprendi a gostar de tango com meu pai", disse.

Segundo ele, mesmo quem não escuta tango, às vezes repete versos da música. Idosos, afirmou, costumam usar a expressão "a luta é cruel e é muita", do tango Uno, de Mariano Mores e Enrique Discepolo.

O taxista Julio Sablich, 70 anos, só escuta a rádio FM Tango no carro. "Todas as semanas danço no clube onde moro, em Caballito (na capital federal)", afirma.

A jornalista Silvia Mercado já teve aulas de tango. Ela disse que a dança foi recomendada por um psicanalista para equilibrar as relações amorosas.



Tangolates

O tango também vem sendo recomendado como uma espécie de elixir contra a solidão e para tratamentos para cardíacos. A argentina Tamara di Tella criou em 2004 o "tangolates", que é a união do tango e do pilates.

A técnica está sendo estudada pelo Ministério da Saúde da Argentina e pela Organização Panamericana de Saúde, segundo o jornal Perfil, de Buenos Aires. Tamara disse que o tango agrega a parte "cardiovascular" ao pilates.

"O pilates exige força, resistência e alongamento, mas falta a ele a parte cardiovascular e aeróbica que foi completada com o tango", disse à BBC Brasil.



O câncer e a última cruzada.


Milhares de biografias reunidas em mais de 600 páginas. Algumas breves, resumidas a poucas linhas. Outras servem de fio condutor para toda a narrativa. Juntas, formam um caleidoscópio de personalidades, sonhos, frustrações, pequenas e grandes derrotas e vitórias para descrever dois lados de uma única e poderosa história: a biografia da doença mais desafiadora que o homem já enfrentou e a cruzada moderna da humanidade para superá-la.

O Imperador de todos os males: uma biografia do câncer é, em certo sentido, a essência do gênero biográfico. Leva-nos às 'origens' do biografado, conta seus 'feitos', apresenta seus obstinados antagonistas e até desperta um certo fascínio inquietante por sua 'personalidade'. A única 'falha' é não terminar com um 'ponto final' – claro que não por culpa do autor, o médico indiano naturalizado norte-americano Siddhartha Mukherjee.

Vencedora do prêmio Pulitzer em 2011, a obra é um trabalho jornalístico de pesquisa impressionante. Com uma linguagem simples e envolvente, a narrativa combina suspense, drama e até intriga política ao entrelaçar a experiência pessoal do autor e uma farta coleção de referências históricas e científicas. O ritmo do relato acompanha o ir e vir da pesquisa, ao explorar alternativas paralelas, recuperar histórias e estudos esquecidos no tempo – e até refletir certa estagnação pontual, como na quimioterapia do fim da década de 1980.

Apesar de pintar um quadro forte das vidas impactadas pelo câncer, a obra passa longe do clima sinistro que se poderia esperar e tem o mérito adicional de apresentar, de forma clara, conceitos científicos complexos. De processos intracelulares e genéticos até metodologias de testes clínicos, Mukherjee cria um manual das estratégias de guerra contra a doença, para leigos e iniciados, de dar inveja a Sun Tzu.

Luz e sombra

A história começa na infância do biografado: o indiano busca nas memórias do homem os primeiros vestígios do câncer. Papiros egípcios, estudos gregos sobre a bile negra, a desesperança de um médico do Império Romano, esqueletos em tumbas ameríndias e cadáveres do Renascimento, limpadores de chaminés, descobertas de uma polonesa na França, gás mostarda e fábricas de corantes alemãs – são algumas das pistas do passado de uma doença 'fantasma' e pouco registrada.

 

 

Emergimos desse mergulho milenar para destrinchar a história da anatomia, da química, da biologia e da medicina do câncer nos dois últimos séculos, seguindo os passos – e as intrigas – da nata da pesquisa na área. É impressionante notar como, até a metade do século 20, essa era uma guerra de cegos: ora descritos como geniais, ousados e infatigáveis, ora como compulsivos e obcecados, tateavam na penumbra à procura de uma 'bala mágica' capaz de destruir o câncer.

Com um entendimento perigosamente parco dos mecanismos da doença, muitas das primeiras estratégias utilizadas, como a mastectomia radical e primitivas alternativas de quimioterapia, forçavam os limites do conhecimento e da ética de sua época, por vezes com efeitos quase tão devastadores quanto o próprio câncer.

Pesquisadores que se dedicavam a estudar a biologia da doença e seu tratamento passaram décadas trabalhando de forma isolada; eram como 'conhecidos' que frequentam os mesmos lugares, mas voltam para casa sempre sozinhos – a analogia é do próprio Mukherjee e reflete uma realidade que só começou a mudar na década de 1980, com o avanço da genética e o desenvolvimento de terapias mais específicas e menos agressivas.

 

 Uma jogada sagaz transformou o menino Einar Gustafson em Jimmy, garoto-propaganda 

da luta contra o câncer, e ajudou a colocar a doença na pauta política e social dos EUA. 

À direita, propaganda dos anos 1960, quando a pressão social sobre as empresas tabagistas 

era fomentada pelos lobistas anticâncer.

 

Outro ponto interessante é observar que as bancadas dos laboratórios são apenas uma das trincheiras dessa guerra. Na verdade, muitos dos grandes avanços só ocorreram quando a doença foi retirada das sombras à força, trabalhada na casamata do lobby político e exposta aos holofotes da mídia, transformando-se, só assim, no grande inimigo de uma cruzada moderna e definitiva.

Mukherjee é um admirador do brilhantismo dos muitos 'generais' da frente anticâncer, como o patologista Sidney Farber e a socialite e lobista Mary Lasker, cujos esforços conjuntos colocaram a doença na pauta de discussão dos Estados Unidos.

Por outro lado, o livro também exalta a grandeza do biografado: poderoso, antigo e misterioso, o câncer é uma célula humana que leva às últimas consequências suas estratégias de sobrevivência – e cada pequena vitória sobre ele deve ser comemorada. Em síntese, O imperador de todos os males é uma obra rica, interessante e que desempenha seu papel nesse confronto milenar ao discutir abertamente e ajudar a desmistificar o câncer.
 

A trincheira brasileira

Era esperado, mas não deixa de ser curioso notar a pequena participação de coadjuvantes que não sejam norte-americanos ou europeus na obra – exceção feita a alguns pesquisadores de países asiáticos, muitos deles radicados nos Estados Unidos como o próprio autor.

É conhecido o pioneirismo dessas regiões no estudo do câncer e os Estados Unidos foram os primeiros a investir pesadamente no combate à doença, mas a ausência de brasileiros e latino-americanos é marcante.

O Brasil aparece apenas uma vez, em observações de um perspicaz oculista do século 19 sobre um câncer de córnea hereditário. Teria mesmo a pesquisa ao sul do Equador tão pouca relevância mundial?  

 


Um incidente incomum a respeito de uma girafa.


Zoólogos testemunharam uma girafa mãe se recusando a sair de perto do corpo de seu filhote morto, no terceiro incidente do tipo registrado.

Outros animais sociais, como elefantes e chimpanzés, são conhecidos por examinar atentamente os corpos de seus mortos, especialmente de parentes próximos.

Esse tipo de comportamento levanta discussões sobre a possibilidade de que os animais tenham um "modelo mental" de morte.

Detalhes do último incidente foram publicados no African Journal of Ecology.

O professor de zoologia Fred Bercovitch, pesquisador do Primate Research Institute &Wildlife Research Centre na Universidade de Kyoto, no Japão, e da Giraffe Conservation Foundation, com sede em Surrey, na Grã-Bretanha, testemunhou um desses episódios.

Enquanto observava girafas no South Luangwa National Park, na Zâmbia, Bercovitch testemunhou uma girafa se inclinar sobre seu filhote natimorto.

Ela passou vários minutos lambendo o filhote, antes de levantar. A girafa repetiu o comportamento algumas vezes, ficando ao todo mais de duas horas examinando do filhote que perdeu.

Comportamento

Esse comportamento é surpreendente por diversas razões.

As girafas fêmeas raramente passam tempo sozinhas, e no entanto esta passou horas com seu filhote morto, longe das outras fêmeas.

As girafas também raramente se inclinam, a não ser para beber ou comer. E, a não ser por dois outros episódios semelhantes, as girafas não costumam ser vistas examinando atentamente seus mortos.

"A reação maternal a seu filhote morto não foi tão prolongada quanto a observada em elefantes africanos", escreveu Bercovitch.

Elefantes e chimpanzés, ambos vivendo em grupos altamente sociais, já foram observados aparentemente sofrendo a perda de seus mortos.

Os elefantes ficam agitados quando um membro de sua manada morre, examinam o morto e geralmente protegem os corpos.

Há registros de chimpanzés carregando seus filhotes mortos. Geralmente, filhotes mais velhos são carregados por mais tempo.


 

No caso das girafas, em um dos três episódios registrados até agora, em 2010, no Quênia, uma girafa fêmea passou quatro dias ao lado do filhote de um mês que havia acabado de morrer.

O comportamento foi observado pela bióloga Zoe Muller. Dezessete outras girafas fêmeas cercaram o corpo do filhote em diferentes momentos ao longo dos quatro dias.

No incidente da Zâmbia, testemunhado por Bercovitch no fim do ano passado, a girafa ficou duas horas com o filhote, que aparentemente nasceu morto.

O terceiro episódio foi registrado em 2011, na Namíbia, quando uma manada de girafas parou para inspecionar o local em que uma jovem fêmea havia morrido três semanas antes.

Uma girafa macho parou de caminhar e farejou o terreno. Quatro outros membros da manada examinaram o local da mesma maneira.

Laços

No entanto, enquanto o comportamento de elefantes e primatas tem sido usado para sugerir que alguns mamíferos são capazes de conceituar a morte, Bercovitch se mantém cauteloso.

Os episódios claramente mostram que girafas mães formam laços com seus filhotes de maneira mais profunda do que se pensava, diz Bercovitch.

Mas a importância da descoberta também pode residir mais no fato de que amplia o número de espécies que reagem quando parentes ou membros de seu grupo morrem.

Somente ao coletar evidências de várias espécies os cientistas poderão começar a investigar se os animais sofrem por seus mortos, e em que momento da evolução essa característica apareceu.

Redução de peso é a mesma com a prática de 30 ou de 60 minutos de exercícios.


Para homens obesos, praticar 30 minutos de alguma atividade física ao dia pode ser tão eficaz para perder peso quanto exercitar-se durante 60 minutos, concluiu um estudo da Universidade de Copenhague, na Dinamarca. A pesquisa foi publicada na edição deste mês do periódicoAmerican Journal of Physiology.

 

A equipe acompanhou, durante três meses, 60 homens com obesidade moderada que não apresentavam nenhuma doença grave. Metade dos participantes foi designada a praticar 30 minutos de alguma atividade física ao dia três vezes por semana e o restante, 60 minutos. Os exercícios tinham intensidade moderada ou intensa, suficientes para produzir suor. Os homens utilizaram aparelhos que monitoraram a frequência cardíaca e o gasto calórico de cada um.

Ao final do estudo, a média da redução de massa corporal foi quase a mesma entre os dois grupos, ficando próxima a quatro quilos. No entanto, o grupo que treinou por 30 minutos ao dia queimou mais calorias do que estava previsto no programa de emagrecimento deles. Segundo os autores, isso indica que o tempo a mais que os outros participantes se exercitaram não promoveu perda de peso adicional.

Para Mads Rosenkilde, coordenador do trabalho, uma possível explicação para esses achados consiste no fato de que é mais provável que, quando uma pessoa se exercita por 30 minutos, ela o faça com mais vontade e tenha energia suficiente para desejar realizar outras atividades extras durante o dia (voltar para a casa a pé, por exemplo). Além disso, o grupo que se exercitou por 60 minutos ingeriu mais calorias, o que pode contribuir para que a redução de peso não tenha sido tão grande.