17/09/2012

Sr. Eleitor...

menino piloto reencarnado.

Sabedoria...

 

A sabedoria de um homem não está em não errar, chorar, se angustiar e se fragilizar, mas em usar seu sofrimento como alicerce de sua maturidade.

Augusto Cury

Tatuagens...


Eu estava descendo a escada rolante do shopping e ela seguia dois degraus à minha frente. E nos seus ombros eu vi, tatuado, o sinal de aspas que se abria no ombro esquerdo e se fechava no direito. Entre um e outro, nenhuma mensagem ou palavra. Nada se via ou se lia naquele espaço. Eram, portanto, aspas que se abriam e se fechavam sobre coisa nenhuma.

Acabei de descer, perdi a jovem de vista, mas não conseguia esquecer aqueles dois sinais. Ocorreu-me que — para fazer graça, quem sabe? — estaria se colocando entre as aspas para ser vista como uma pessoa diferente. Ela própria uma citação de algo que ninguém deveria saber, a não ser ela mesma. Ou nem ela.

Segui meu caminho, comprei o que tinha de comprar e me instalei num café. Numa mesa mais adiante eu vi uma outra jovem, pendurada no celular, que exibia no tornozelo a tatuagem de uma pomba branca com um ramo de oliveira preso ao bico. Outros jovens passavam diante de mim. E muitos, alguns discretamente, outros nem tanto, deixavam à mostra uma tatuagem. Lembrei que, na minha adolescência, tatuagem era uma exclusividade de marinheiros e presidiários, além de muito frequente nas histórias em quadrinhos, como as do Popeye e sua âncora tatuada nos braços.

Uma vez participei de um grupo amador de teatro que promovia espetáculos em presídios. Numa das apresentações, um dia de muito calor, os presos estavam sem camisa, sentados no chão do pátio, e todos eles, sem exceção, exibiam tatuagens nos braços e no peito. Nos braços, a mais comum era um coração flechado, onde se podia ler um nome de mulher. Já no peito, a que se via em quase todos era um coração — sem a flecha — em que se lia "amor de mãe".

Àquela época a única pessoa tatuada que conhecíamos no bairro em que eu morava era um empregado de posto de gasolina, Genésio. Mas ele também, soubemos depois, era um ex-presidiário.

Estava eu voltado para essas longínquas e inocentes lembranças quando vi a jovem entre aspas se aproximar do café, acompanhada de uma outra, aparentemente da mesma idade. Conversavam animadamente e riam do que falavam. Ocuparam a mesinha ao lado da minha e, como o lugar era pequeno, quase nos esbarrávamos. Tanto olhei para elas e tanto elas surpreenderam meu olhar que achei melhor explicar a minha curiosidade.

— Desculpe — disse eu —, mas desci a escada do shopping alguns degraus atrás de você e vi suas aspas tatuadas nos ombros. Nunca tinha visto nada igual.

— Ah — sorriu ela —, todo mundo se interessa por elas e me pergunta a razão.

— E você pode dizer qual é?

— Bem, eu acho aspas um sinal muito bonito. Graficamente bonito, entende?

— Concordo, mas…

— Mas o que eu quis mesmo, de verdade, foi fazer uma provocação. Que cada pessoa que olhasse imaginasse alguma frase, um conceito ou mesmo uma única palavra, para colocar entre as aspas.

— Foi o que eu imaginei — exclamei com aquele sorriso de quem acertou e por isso se acha o máximo!

— Que estou aberta a sugestões, entende?

E as duas, maliciosamente, riram ainda mais.

— Uma vez um rapaz me disse que colocaria entre as aspas dos meus ombros o verso do Vinicius: "Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental".

— Você gostou?

— Se gostei? Gostei tanto que vivemos juntos dois anos. Só acabou porque um outro me disse que colocaria: "Viver bem é a maior vingança".

— Com esse você deve ter vivido mais tempo.

— Ah, por esse eu me apaixonei perdidamente, vivo com ele até hoje. Já dura cinco anos!

Pagaram a conta, deram tchau e se foram, sempre rindo, alegres, felizes, soltas como uma pipa ao vento.

Eu fiquei olhando as duas, sorrindo diante da velocidade com que pensavam e falavam, de como agiam e riam. E de como pareciam se livrar, sem dificuldade, do peso dos sentimentos. Quem sabe até do amor. Talvez estivesse ali, na juventude tatuada, abrir aspas: "a alegria de viver". Fechar aspas. Sem pensar em vingança.

 Manoel Carlos

Homens e mulheres enxergam de maneiras diferentes, diz estudo.


 

Se você chega em casa recém-saía do cabeleireiro, com um tom de tintura vermelha que nunca antes havia se atrevido a usar, e seu marido a recebe com um "que lindos esses seus novos brincos", em referência a um presente de uma prima que você quase deixou de lado, pense duas vezes antes de se irritar e gritar com ele.

Não se trata –neste caso ao menos- de falta de interesse, atenção e muito menos de carinho.

De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores dos Estados Unidos, os olhos dos homens são mais sensíveis aos pequenos detalhes e aos objetos que se movem em grande velocidade, enquanto as mulheres distinguem cores com mais facilidade.

Isaac Abramov, professor de psicologia do Brooklyn College, foi o responsável por dois estudos paralelos para determinar essas diferenças.

Em um deles, apresentou aos participantes uma amostra de uma cor específica e pediu a eles que a descrevessem empregando uma série de termos pré-determinados.

Desta forma, o psicólogo e sua equipe descobriram que homens e mulheres descreviam a mesma cor diante de seus olhos usando termos diferentes.

"Ambos veem o azul como azul, mas que porcentagem de vermelho veem na cor difere se o indivíduo é homem ou mulher", disse Abramov.

Assim se explica por que as mulheres são melhores quando se trata de combinar cores ou de buscar tons semelhantes entre si.

Um ponto no horizonte

O outro estudo conduzido pela mesma equipe se concentrou em como cada sexo percebe os detalhes e as imagens em movimento.

Os homens detectam os detalhes, por mínimos que seja, com mais facilidade.

"Por exemplo, se um avião ingressa em nosso campo visual, como um ponto ínfimo no horizonte, o homem o notará antes da mulher", diz o cientista.

"Ou se uma pessoa tem tendência a tornar-se míope com o tempo, se for homem, levará mais tempo até que tenha que usar óculos", acrescenta.

Diferenças

As hipóteses para explicar as razões por trás dessas diferenças são várias e dão início a uma série de debates, diz Abramov.

"Uma explicação possível é que no cérebro se encontram receptores do hormônio masculino, testosterona, e a maior concentração desse hormônio está na parte superior do cérebro –o córtex cerebral- que é a principal zona visual", destaca.

"Por que essa região do cérebro é tão sensível à testosterona também é uma questão de especulação", acrescenta.

Evolução

Outra teoria está relacionada com a evolução.

Os homens, em seu papel de caçadores, evoluíram suas capacidades que o permitiam avistar à distância uma presa ou um animal que pudesse representar uma ameaça com maior precisão, enquanto as mulheres aperfeiçoaram suas capacidades para melhorar seu desempenho como coletoras.

Abramov deixa claro que todas essas diferenças são sutis e que afetam a visão em seu nível mais primário.

Sem dúvida, por ser uma diferença biológica, não é possível treinar o olho para "melhorar" no que faz pior.

Além disso, isto não afeta a percepção –ao menos no que se sabe até o momento- já que esta se alimenta de muitos outros fatores, como a educação, a memória e os interesses.


A temperatura pode chegar a 37º C hoje no Rio.