




Com curadoria de Josué Mattos, Eu fui o que tu és, tu serás o que sou reúne obras de artistas contemporâneos que se aproximam do tema da finitude em suas várias acepções. The fourth wall (A quarta parede), por sua vez, é uma instalação do artista alemão Clemens von Wedemeyer, composta de projeções de oito fragmentos de filme e fotografias que retratam os contatos iniciais de pesquisadores com grupos humanos isolados em selvas remotas. São essas as duas instigantes exposições que ocupam o Paço das Artes em outubro.
Tirada do afresco renascentista La trinità (1426-28), do italiano Masaccio, a frase que dá título à primeira sugere um diálogo implícito entre o Cristo pregado na cruz e o cadáver que o observa. A perspectiva de que a morte faz parte da vida permeia os trabalhos selecionados, que incluem pintura, escultura, desenho, fotografia, instalação multimídia e videoperformance. São 22 produções de 16 artistas, como a videoinstalação Cleaning the mirror I (1995), da sérvia Marina Abramovic; a série de imagens El naufragio de los hombres (2008), do argentino Charly Nijensohn – direta ou indiretamente, todas se relacionam às ideias de transitoriedade e incompletude.
Já a instalação Clemens von Wedemeyer remete ao célebre caso da tribo dos tasaday, na Ilha de Mindanao, nas Filipinas. Supostamente, eles viveram sem interação com outras civilizações até 1971, mantendo um modo de vida semelhante ao de seus antepassados da Idade da Pedra. A história, que muitos especialistas consideraram uma farsa, até hoje suscita fascínio e dúvidas. O artista alemão joga com essa ideia de encenação versus realidade – daí o título que faz menção a um jargão do teatro sobre a invisível barreira que separa os atores da plateia. (Maria Fernanda Vomero)
EU FUI O QUE TU ÉS, TU SERÁS O QUE SOU e THE FOURTH WALL R. De 5/10 a 2/11, ter. a sex. 11h30/19h; sáb. e dom. 12h30/17h30. Paço das Artes: Av. da Universidade, 1, Cidade Universitária, tel. (11) 3814-4832. Grátis.

