Apostando forte na cultura pop, a Flip teve uma mesa para discutir histórias em quadrinhos.
6 nomes de destaque na programação do evento. Dentre eles tem gente que foi jurada de morte pelo Irã, quadrinistas undergrounds e uma iraniana que foi expulsa de uma universidade por se recusar a usar o véu.
Robert Crumb, 66 anos, Estados Unidos
Robert Crumb – pai de Fritz, The Cat e Mr. Natural - foi um dos fundadores dos quadrinhos underground americanos nos anos 60 e é mestre em adaptar obras de escritores famosos para o formato HQ – já fez isso com Franz Kafka, Charles Bukowski e Philip K. Dick. Seu último lançamento, “Gênesis”, aborda a história do primeiro livro da Bíblia em quadrinhos.
Ao lado de Robert Crumb, o quadrinista Gilbert Shelton é considerado símbolo da contracultura dos anos 1960. Em 1968, criou “The Freak Brothers”, sobre um trio de maconheiros mergulhados em sexo, drogas e rock’n'roll. Ele já publicou no Brasil dois álbuns: “Aventuras do gato do Fat Freddy” e “Freak Brothers”. Não vem lançar nenhum livro novo, mas está trabalhando na produção de um longa-metragem animado estrelado pelo trio.
Wendy Guerra, 39 anos, Cuba
Além de ter causado polêmica em seu país por ter posado nua para ensaios artísticos, a cubana Wendy Guerra conquistou a antipatia do governo com seus livros, em que conta como é a vida sob a ditadura comunista. Eles foram proibidos de circular por ali e até suas correspondências foram interceptadas. Na Flip, ela vai lançar “Nunca Fui Primeira-Dama”, inspirado na história de sua própria mãe e da guerrilheira comunista Celia Sánchez, primeira mulher do movimento rebelde cubano.
Salman Rushdie, 63, Índia
O escritor anglo-indiano Salman Rushdie recebeu uma sentença de morte pelo regime muçulmano fundamentalista do Irã em 1989 e passou a década seguinte sob a proteção da polícia britânica. Tudo porque seu livro “Versos Satânicos” foi acusado de blasfemar contra o islamismo. Depois de muita pressão internacional, o Irã retirou a condenação contra ele. Na Flip, Rushdie vai falar sobre seu novo livro, “Luka e o Fogo da Vida”. O livro é uma continuação de Haroun e o mar de histórias (1990), em que o irmão de Haroun se junta à missão de devolver ao pai, um contador de histórias, o dom de narrar.
Azar Nafisi, 55 anos, Irã
Azar Nafisi chegou a ser expulsa da Universidade de Teerã em 1981, onde dava aulas, por se recusar a usar o véu e só pôde voltar 6 anos depois. Escreveu “Lendo Lolita em Teerã”, traduzido para 32 idiomas, que fala sobre as reuniões secretas organizadas por ela para debater livros ocidentais proibidos no Irã. Seu livro mais novo, “O que eu não contei”, explora o passado de sua família relacionando-a com a história conturbada do Irã.
Reinaldo Moraes, 60 anos, Brasil
O único brasileiro da lista ficou conhecido no começo dos anos 80 com o polêmico livro “Tanto Faz”, referência da juventude da época. Ali, conta a história de um bolsista em Paris que larga os estudos para passar uma temporada de sexo, drogas e conversas à toa pelos cafés da cidade. Seu último livro é Pornopopeia (2009), sobre um cineasta junkie que também leva uma vida centrada no aqui-e-agora que se envolve com o assassinato de um traficante de botequim.
Fonte: Superinteressante.






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