02/11/2010

No imaginário popular, eletrochoque é aquela antiga tortura usada contra 
pacientes psiquiátricos.
Na psiquiatria, "eletrochoque" é o sinônimo politicamente incorreto de 
eletroconvulsoterapia, "o antidepressivo mais poderoso que existe", 
segundo Harold Sackheim, professor da Universidade 
Columbia (EUA). Sackheim, que é americano e participou do 
Congresso Brasileiro de Psiquiatria encerrado sábado em Fortaleza, 
disse que 70% dos pacientes com quadros de depressão grave 
se recuperaram com eletrochoques. Já a taxa de de sucesso 
com antidepressivos, nesses casos, não ultrapassou 30%.
"Metade dos pacientes que eu tratei já tentou se matar e eles 
acabaram se recuperando", disse à Folha o professor de psiquiatria.
Segundo o brasileiro Moacyr Rosa, também pesquisador da Columbia, 
preconceito contra o método vem de seu mau uso no passado, quando 
era aplicado sem anestesia e para qualquer coisa. 
"A eletroconvulsoterapia acompanhou a evolução da medicina e hoje 
suas aplicações são muito mais seguras."

INDICAÇÕES
Se antes havia um uso indiscriminado dessa terapia, hoje os 
 especialistas só a recomendam para casos em que o paciente 
não responde aos medicamentos ou quando a depressão 
é severa. "Se os sintomas forem muito intensos, a ponto de 
causarem  estupor ou grandes prejuízos às atividades profissionais 
e ao relacionamento, temos um caso grave de depressão", explica 
o psiquiatra José Alberto Del Porto, da Unifesp. As sessões de 
20 minutos são feitas três vezes por semana, por um mês. 
O paciente recebe anestesia geral. Os eletrodos induzem uma 
corrente elétrica no cérebro que provoca a convulsão, alterando 
os níveis de neurotransmissores e neuromoduladores como a 
serotonina e a dopamina.

AMNÉSIA
Apesar de exaltarem a eficácia do método, os especialistas 
reconhecem que a  terapia por  convulsão elétrica causa 
efeitos colaterais que variam da náusea até a perda de parte 
da memória.
Segundo Del Porto, é comum o procedimento causar perda 
transitória da capacidade  de memorização. "Depois de duas 
ou três semanas, tudo volta ao normal. Já os casos  de perda das 
recordações costumam ser raros". Segundo Rosa, esses 
desconfortos são o foco atual das pesquisas. "A ideia hoje é 
diminuir a incidência desses efeitos colaterais."
- Folha de S. Paulo -

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