03/10/2012

Sucesso da Broadway, musical "O rei leão" terá montagem brasileira.



O musical mais famoso da Broadway? O fantasma da ópera, há 25 anos em cartaz. Porém, recentemente, o título de maior bilheteria foi entregue a O rei leão. A história de Simba já arrecadou US$ 853,8 milhões desde a sua estreia, em 1997. Personagens e canções como "Can you feel the love tonight?", que ganharam o mundo com o filme, em 1994, antes de chegar ao teatro, fazem desse musical um clássico pop.

O rei leão, que já foi traduzido nos palcos em sete línguas diferentes (japonês, alemão, coreano, francês, holandês, mandarim e espanhol) e visto por 65 milhões de pessoas em 19 produções pelo mundo, agora ganha uma versão em português. A produção, uma parceria entre a Time for fun e a Disney Theatrical Productions, tem estreia prevista para março de 2013, no Teatro Abril (futuro Teatro Renault), em São Paulo.
Os detalhes da chegada do musical foram anunciados nesta terça-feira (2), na capital paulista, com a presença de Thomas Schumacher, produtor e presidente da Disney Group, e da diretora da versão original, Julie Taymor, também responsável pelos figurinos e pelo co-design das máscaras e fantoches usados em cena.

Eles acompanham de perto todas as montagens fora da Broadway. Pudera. Foram eles que receberam, lá atrás, a difícil missão de levar a história dos cinemas para os palcos. "Meu chefe na Disney me chamou e perguntou se eu tinha alguma ideia de como levar O rei leão para o palco. Eu disse que não sabia, achava a história apenas cinematográfica. Ele, então, me mandou ter uma ideia genial", disse Schumacher, que ainda tem no currículo produções como A bela e a feraO rei Davi, Tarzan High School Musical.

O produtor pediu socorro para Julie Taymor, outra especialista em musicais. Ela nunca havia assistido ao filme, e tão pouco conhecia as canções, originalmente compostas, em sua maioria, por Elton John e Tim Rice. "A primeira coisa que pensei, depois de assistir ao filme, foi de como eu colocaria uma manada em cima de um palco", diz Julie. A inspiração veio do teatro antigo. Atores manipulando marionetes, movimentando rodas que fazem o cenário se movimentar.


"Não fingimos que o que está no palco é um animal de verdade. Mostramos o rosto dos atores, eles interagem, há emoção", afirma Julie. "O ator tem que fazer com que o público preste atenção nos dois: nele e no figurino." Um dos maiores desafios, segundo ela, foi estabelecer a personalidade de Rafiki, o sábio babuíno responsável pelo batismo de Simba e também por abrir os olhos do leão em relação ao seu passado. No musical, a personagem ganhou uma personalidade mais feminina, mais materna.

A coreografia também ganhou atenção especial da diretora, que procurou por algo autêntico, que remetesse ao ambiente das savanas. "Não queria algo da Broadway, procurei alguém que conhecesse danças africanas, mas que tivesse um trabalho próprio", diz Julie. O escolhido foi o jamaicano Garth Fagan. "Ele trabalha com uma técnica de isolamento. A cabeça faz movimentos diferentes do tronco. Isso foi importante para estabelecer a mobilidade dos animais", afirma Julie.

Com a supervisão dos dois profissionais, que já estiveram por aqui algumas outras vezes e que agora vão acompanhar as seletivas dos atores (ainda não há nenhum nome anunciado), pode-se esperar que a versão brasileira tenha o mesmo cuidado da original.


A difícil missão de fazer as versões das canções do musical O rei leão coube a Gilberto Gil. O cantor e compositor brasileiro trabalha nas canções feitas originalmente por Elton John, Tim Rice e Lebo M. "Fiquei receoso. Mas, em casa, minha mulher, Flora, e meus netos me animaram. São todos fãs do leão", disse Gil, que também participou do encontro com a imprensa em São Paulo, nesta terça-feira (2).

Duas importantes canções já foram apresentadas: "Dá para ver o amor aqui?" ("Can you feel the love tonight?") e "Ciclo da vida" ("Circle of life"). Gil também pretende acompanhar, vez ou outra, os ensaios. "Pode ser que as músicas precisem de ajustes, trocar uma palavra ou outra", diz o compositor.

O fato de já existirem versões para o filme – Zezé Motta, por exemplo, gravou "Ciclo da vida" para o cinema – não preocupa Gil. "Eu trabalhei com as canções do musical, que já são diferentes da do filme. Quem ganha é o público, que vai conhecer mais uma versão", disse Gil. O compositor ainda filosofou. "Traduzir é sempre arriscado. O tradutor arrisca perder a sua alma. Mas é preciso atravessar essa ponte entre as duas línguas."

Gil, pelo trabalho ou pela teoria, acabou ganhando um elogio público do produtor Thomas Schumacher. "A versão em português já é a minha preferida. Ela me pareceu mais soft, mais carinhosa", disse.

Apesar de não haver uma data certa para a estreia – sabe-se apenas que será em março de 2013–, o musical já tem dias e horários definidos: quartas, quintas e sextas-feiras, às 21h, sábados, às 16h30 e 21h, e domingos, às 15h30 e 20h. Os preços também já foram divulgados, de R$ 50 a R$ 280. As vendas começam no dia 20 de outubro para quem tem os cartões do banco Bradesco, um dos patrocinadores. A Time for fun promete, para depois de "O Rei leão", as montagens de "A pequena sereia" e "Marry Poppins".

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